O que é vertigem? Medo de cair? Mas porque temos vertigem num mirante cercado por uma balaustra sólida?
Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa.
É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrae e nos envolve, é o desejo da queda do qual nos defendemos aterrorizados.

Milan Kundera

Somente no amor gostamos de ver alguém mais feliz do que nós mesmos...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Maria Bethânia - Tua (vídeo oficial do dvd) 2010

Relembrando às vezes, mas em frente!

... em alguns poucos sentidos me sinto renovada! Perceber, aceitar certas coisas, exigem maturidade (acho que nunca serei uma pessoa madura ... rsss) mas vou tentar com mais vontade. Ou com uma dose maior de clareza e de entendimento do que não posso mudar!
Não sou má, mas sou exagerada. E muitas vezes desnecessária.
É terrível, tenham certeza porque quando vejo, quando bate a lucidez, já foi!
... já falei, já fiz e ai o que me sobra sempre é mais uma noite sem sono, ou repleta de arrependimento. Passo cinco, dez dias, no mais absoluto conflito interno, pois não posso mudar o que aconteceu, e nessa hora apelo pro que existe de sagrado no universo, um sagrado sem nome que ta mais em mim, ou que mais satisfaz o meu ego (um ego muito fdp) do que o resto do mundo.
Sou uma pessoa estranha. Penso, sinto, sofro, porque acredito demais em alianças, e me perco por isso, perco meu sono e paz, pois enalteço algumas ações sem contar que elas são reflexo do momento, e que estão sujeitas à mudanças, e não se manterão além do que importa naquela hora.
Quando algo me fere, e como sou tola e ingenua muita coisa me fere, choro como criança, passo pela fase do "porque" como todo mundo, sinto raiva mas depois passa porque a alma, o coração vai acalmando, absorvo, penso, repenso, mastigo e engulo o acontecido, e sigo em frente.
No começo com dificuldade, mas sigo, cambaleando, relembrando as vezes, mas sigo. É a vida, e devemos, eu devo, aprender a aceitar ela assim, néh? ... não vou mudar nada mesmo!
Na verdade, e nunca quiz admitir esta possibilidade antes, acho que fazer terapia seria uma boa idéia ... sei lá, talvez eu deva entender que preciso mesmo crescer, e os psicólogos são tão bons em nos transformar em adultos. Eu sempre quiz ser o Peter Pan, acho que ainda é o meu conto favorito porque queria pra sempre, eternamente, ver o mundo, a vida, as pessoas com a ingenuidade de uma criança!
Não me encaixo no mundo dos adultos, porque no fundo, ou no fim de tudo o que quebrou não tem conserto, e as crianças acreditam que existe uma fábrica mágica, invisível no mundo (alguns chamam ela de Deus) capaz de consertar qualquer coisa.

E essa mágica não existe! ...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Os homens sábios entendem o que vai passar-se


O que acontece agora sabem os mortais,
e o que será um dia os deuses sabem,
os únicos senhores de toda a luz profunda.
Mas o que vai acontecer em breve
o atento sábio sabe.
O seu ouvido às horas do silêncio há que escuta
inquieto e perturbado estranhos sons
que às vezes vêm de eventos que estão prestes.
E respeitosamente atenta neles,
enquanto as gentes fora nada ouvem.

[1915]

Constantino Cavafy
(tradução de Jorge de Sena)
Porque os deuses sabem dos eventos futuros, e os
homens dos eventos presentes. Mas o sábio sabe do
que vai passar-se.
Filóstrato, Sobre Apolónio de Tiana, VII 7.

O Senhor Diabo - Eça de Queiróz

Conhecem o Diabo?

Não serei eu quem lhes conte a vida dele. E, todavia, sei de cor a sua legenda trágica, luminosa, celeste, grotesca e suave!

O Diabo é a figura mais dramática da História da Alma. A sua vida é a grande aventura do Mal. Foi ele que inventou os enfeites que enlanguescem a alma, e as armas que ensangüentam o corpo. E todavia, em certos momentos da história, o Diabo é o representante imenso do direito humano. Quer a liberdade, a fecundidade, a força, a lei. É então uma espécie de Pã sinistro, onde rugem as fundas rebeliões da Natureza. Combate o sacerdócio e a virgindade; aconselha a Cristo que viva, e aos místicos que entrem na humanidade.

É incompreensível: tortura os santos e defende a Igreja. No século 16 é o maior zelador da colheita dos dízimos.

É envenenador e estrangulador. É impostor, tirano, vaidoso e traidor. Todavia, conspira contra os imperadores da Alemanha; consulta Aristóteles e Santo Agostinho, e suplicia Judas que vendeu Cristo e Bruto que apunhalou César.

O Diabo ao mesmo tempo tem uma tristeza imensa e doce. Tem talvez nostalgia do Céu!

Ainda novo, quando os astros lhe chamavam Lúcifer, o que leva a luz, revolta-se contra Jeová e comanda uma grande batalha entre as nuvens.
Depois tenta Eva, engana o profeta Daniel, apupa Jó, tortura Sara e em Babilônia é jogador, palhaço, difamador, libertino e carrasco. Quando os deuses foram exilados, ele acampa com eles nas florestas úmidas da Gália e embarca expedições olímpicas nos navios do imperador Constâncio. Cheio de medo diante dos olhos tristes de Jesus, vem torturar os monges do Ocidente. 

Para explicar o amor Chico cita Montaigne

Memória (declamado por Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 13 de novembro de 2011

Meow (Marcos Magalhães, 1981)

VOZES DE UM TÚMULO

Morri! E a Terra - a mãe comum - o brilho
Destes meus olhos apagou!... Assim
Tântalo, aos reais convivas, num festim,
Serviu as carnes do seu próprio filho!

Por que para este cemitério vim?!
Por quê?! Antes da vida o angusto trilho
Palmilhasse, do que este que palmilho
E que me assombra, porque não tem fim!

No ardor do sonho que o fronema exalta
Construí de orgulho ênea pirâmide alta...
Hoje, porém, que se desmoronou

A pirâmide real do meu orgulho,
Hoje que apenas sou matéria e entulho
Tenho consciência de que nada sou!

Sob um leve desespero ...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

... onde eu estava?

... e nunca nada lhe perguntei.
Mas algo remoe aqui dentro de mim,
preciso saber, se é verdade o que vieram me falar...

Mas que direito eu teria de perguntar?

... hoje. sinto solidão pela minha ingenuidade!
Como pôde como uma onda,
Um olhar tragar minha alma?

Onde eu estava?
Nunca imaginei que estivesse tão perdido...
Que um abismo pudesse ser tentador,
E não apenas, e coerentemente mortal!

Acabo de acordar.
Sinto a cabeça rodando,
... e a boca amarga!

Não sou mais do que um quadro,
... em branco!
Não sou mais do que uma saudade triste e vazia!